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Flashmob fashionista

Quarta feira passada (16/03), quem estava na EACH pela manhã foi involuntariamente cobaia de um ‘experimento’ que as professoras Suzana Avelar e Beatriz F. Pires propuseram à turma de TM que faz Sociologia da Moda (3º semestre).

Duas semanas antes, os alunos receberam instruções de irem vestidos com algo que nunca usariam para ir à faculdade, ficando livre a forma como cada um interpretaria essa linguagem. O que inicialmente foi levado em tom de brincadeira no dia, se tornou um processo desesperador para a maioria – desde o momento após o exercício ser proposto até a manhã do dia combinado.

O critério de roupa que “nunca usaria para ir à faculdade” de cada pessoa foi diferente:

– Teve quem se vestiu de uma forma que nunca sairia de casa, e que causou estranhamento geral: fantasia, pijama..

-Teve quem usou algo que não se adequava ao estilo pessoal, e que apesar de causar desconforto interno, não causaria nenhuma reação ao ser visto por algum desconhecido.

-E por último, teve quem usou uma roupa que julgava inadequada para o ambiente, mas que a usaria em outra ocasião: shopping, balada, academia, etc.

Fotos: Thiago Phelipe

Foram poucos os colegas que não participaram, e acredito que o que transformava o exercício em algo ‘tão terrível’ era imaginar as possíveis reações no trajeto desde suas casas e na própria faculdade. Sair da zona de conforto requer coragem, e realmente algumas pessoas foram mais corajosas que as outras.

Dentro e fora do campus, sem nem imaginar o motivo do “flashmob fashionista”, as pessoas que observavam e esboçavam as mais diversas reações eram, na verdade, objetos de estudo. Muitas das reações previstas nem chegaram a acontecer: numa cidade como São Paulo, onde as pessoas estão correndo e na maioria das vezes, imersas em seus pensamentos e obrigações, muitas vezes não sobra tempo para observar o que se passa ao redor. Outro motivo poderia ser que, apesar de olharem e estranharem, as pessoas não tiveram nenhuma reação visível por não estarem próximos a algum amigo com quem pudesse comentar. Ou talvez simplesmente não vissem nada de mais, né? Tipo eu, que achei que estava super estranha, quando na verdade causei pouquíssimas reações visíveis.

O fato é que a imagem que achamos que as pessoas fazem de nós pesa muito, junto ao papel que exercemos na sociedade, subdividido em personagens que criamos em cada ambiente/situação, geram uma auto censura que impede que usemos tais roupas simplesmente para ir à faculdade num dia comum.

O critério é muito pessoal, depende da criação, da cultura e das experiências individuais. Através desse mundinho de “permitido” e “proibido” construimos nossa imagem, e nos relacionamos com a sociedade.

No fim, o que percebi foi que as pessoas de fora eram cobaias sim, mas mais do que isso: nós eramos as cobaias de nós mesmos. Pude avaliar o quanto eu me prendo aos padrões da sociedade, o quão pouco experimento, e perceber de uma maneira íntima a relação entre sociedade e indivíduo na Moda.

“A moda é uma constante tensão entre a distinção e a imitação”*. Mesmo quando achamos que estamos nos vestindo de maneira diferente do coleguinha, estamos inserido num padrão, na imitação. Não fosse isso, o que explicaria tamanho estranhamento no uso de saias por homens? Ou de maneira geral, o que tornaria qualquer coisa ‘inadequada’ para determinado ambiente?

Vale a pena ousar de verdade, pelo menos uma vez se despir de preconceitos e vestir o que quiser. Crianças: tentem isso em casa! E fora dela, principalmente. 😉

Beijoss

*Frase extraida do livro de uma das professoras dessa matéria: Suzana Avelar. Moda Globalização e Novas Tecnologias

Post criado com a colaboração do Thiago Phelipe.

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Arquivado em Eventos, Moda, São Paulo, sociologia, USP

Worth e a nova dinâmica da moda

Olá gente!

O blog andou parado por uns dias, mas já voltamos à ativa. : )

A partir daqui, iremos iniciar uma sequência de posts falando sobre a historia da moda e outras discussões sociológicas pertinentes. Sabemos que muita gente estuda história da moda por conta, mas determinados assuntos são sempre novidade para os mais recentes ingressantes nesse universo. Vez ou outra também daremos dicas de livros/filmes que tratem de temas legais, e que interessem a nós.

Nada mais justo do que começar falando do sujeito que cunhou a profissão de costureiro (atual estilista), nos moldes que conhecemos hoje.

Charles Frederick Worth era inglês. Até meados do séc. XIX, fazer roupa era ou artesanato ou comércio (no sentido de serem tratadas como arte, ou como simples forma de ganhar dinheiro). Worth foi o primeiro dos costureiros a se proclamar criador de moda, e a estabelecer em Paris um atelier, onde atendia suas clientes.

Worth

Claro que ele não foi o primeiro costureiro a montar um atelier na cidade-luz. A verdadeira inovação era a maneira como ele tratava suas clientes. Até então, os costureiros desenvolviam modelos de acordo com com os desejos da cliente em questão. Worth, apostando em sua capacidade criativa, jamais permitia que alguma cliente lhe dissesse o que fazer, ou como fazer. Ele foi o primeiro costureiro a assumir a posição de estilista, a partir do momento que as mulheres o visitavam e permitiam que ele desenhasse a roupa que ELE considerava mais adequada para elas.

Vestido de noite de Worth

Tendo ganho notoriedade por vestir a nobreza da época, Worth se impôe como arbitro de estilo, e dá início ao que será o sistema da alta costura, que irá se legitimar no começo do séc. XX. Worth também foi o primeiro a organizar um desfile de moda, mesmo que numa versão primitiva. Os desfiles aconteciam em seu atelier, e as modelos eram chamadas de sósias. Esses desfiles tinham a função de criar em suas clientes o desejo pelo novo, e obviamente de aumentar sua popularidade e crédito entre as damas.

Mas afinal, qual é a real importância dele, qual o principal legado?  Creio que a  constante busca pela renovação, e a criação de expectativa nos clientes quanto ao seu “mais recente trabalho”, o que pode ser chamado de sazonalismo. Ou seja, estabelecer novos lançamentos periodicamente, de acordo com a época do ano. Afnal, a moda vive de renovação, vive de se matar a fim de se recriar.

PS: O sistema da alta costura, que começa a tomar forma a partir dele, será discutido num post exclusivo. O termo alta costura, apesar de banalizado e muitas vezes erroneamente utilizado, tem uma teoria muito interessante por trás. Aguardem!

por enquanto é só : )

até mais!

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