Arquivo da categoria: história da moda

Dica: Livro de Moda*

“ISMOS –  PARA ENTENDER A MODA”

Sempre amei passar em livrarias (e na biblioteca da EACH) e ficar um bom tempo procurando novidades. Muitas vezes pego algum livro emprestado da biblioteca, mas às vezes, quando acho o livro muito interessante e necessário, acabo comprando mesmo.

Assim que foi lançado, o livro “Ismos – Para entender a moda” de Mairi Mackenzie me chamou a atenção. Mas a proposta, de apresentar as tendências e movimentos da moda desde o século XVII até os dias atuais, me parecia um projeto muito pretencioso para um livro tão pequeno.

Folheei e pensei até que bastante antes de comprar… mas quando encontrei o livro na Feira do Livro da EACH por metade do preço (vale a pena esperar a feira!) eu não pensei duas vezes. Foi mesmo uma ótima compra.

O livro é sucinto, mas é um bom começo para quem não entende muita coisa de história da moda. Já para os entendidos, este é um ótimo livro para consultas rápidas, e muito provavelmente para aprender um pouco mais.

A autora faz uma análise da relação e da oposição entre as tendências apresentadas. E há também a indicação de museus em que se pode encontrar peças que representem cada um desses movimentos.

Definitivamente um livro para se ter.

 

*O tema “Livros de Moda” foi uma sugestão do Prof. Carlos Brito.

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Pierre Cardin – revolucionando costumes

Oi gente!

Semana passada nós do Tecendo Idéias fomos conferir uma das expos que indicamos nesse post, a Pierre Cardin – Criando moda, revolucionando costumes, no Shopping Iguatemi. Fiquei surpreso, por que achei que a expo fosse bem menor. Mas não, são 70 looks expostos, de épocas desde o começo da carreira dele (na década de 50), até trabalhos mais recentes, além de acessórios e croquis. A expo ocorre no mesmo espaço no qual foi feito o desfile dele, terça passada (link aqui).

Cardin em 1983

Anotamos as coisas mais relevantes sobre a carreira e os trabalhos dele, e viemos dividir com vocês, tanto para informar como para incentivá-los a visitar a exposição.

► Pierre aprendeu o ofício de corte e costura quando morou em Vichy, aos 17 anos, com um ex-modelista da Chanel.  Depois do fim da 2ª Guerra Mundial, muda-se para Paris e trabalha com Mme. Paquin, Elsa Schiaparelli e Dior.

► Abriu em 1950 sua marca. Foi o primeiro a apostar no prêt-à-porter, quando percebeu que a alta costura estava prestes a perder sua importância no cenário da moda. Foi também o primeiro a fazer prêt-à-porter masculino, revolucionando formas e modelagens.

Tailleur de Cardin da década de 60

► Dentro da moda masculina, foi responsável pela “cardinização” do homem, ou seja, propor silhuetas e comprimentos baseados em seu próprio corpo (ombros mais largos e corpo mais ajustado). Também criou o blazer com fendas, que facilita o acesso ao bolso da calça, sem amarrotar o resto do traje.

Blazer com fendas, que permite colocar as mãos no bolso com mais facilidade.

► Em suas coleções, sempre privilegiava o uso de formas geométricas para compor, especialmente o circulo. Falando de materiais, usou desde os mais clássicos como lã, feltro, malha de jersey, gazar e organza estruturada, como também outros inovadores para a época, como vinil, borracha, metal, entre outros.

Jaqueta em couro dourado e bronzeado, com formas circulares.

►Ainda falando de materiais, foi o criador do Cardine®, um tecido capaz de ser moldado à alta temperatura, permitindo a confecção de roupas sem costuras.

Vestido confeccionado em Cardine®, com relevo de pirâmides moldadas no próprio tecido.

► Outra coisa que achamos interessante foram os croquis dele. Além do desenho e das cores, ele dispôe amostras dos tecidos uma sobre a outra, de modo a visualisar melhor a interação entre as cores e formas que serão utilizadas.

Croquis de Cardin com as amostras de tecido.

É isso. A exposição tem muito mais coisas, que não caberiam aqui. Vale a pena ir conferir!

Pierre Cardin – Criando moda, revolucionando costumes

Shopping Iguatemi
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232, 9º andar.

beijos!

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Moda e tecnologia – Together we shine

Oi gente!

A idéia original do post era falar um pouco sobre o trabalho de duas alunas de TM, mas resolvi esticar um pouco mais o assunto, por que a discussão é muito interessante, e vale a pena.

Não é de hoje que moda e tecnologia andam juntas. Claro, vocês poderiam dizer: “existe algo de que a tecnologia esteja apartada?” Talvez não. Mas de qualquer forma, a interação entre essas duas áreas, ao contrário do que poderiamos pensar, nem sempre trabalha no sentido do design funcional (como os tecidos das camisetas esportivas e uniformes de bombeiro), mas também promovem uma nova forma de interação entre o corpo, a roupa que o cobre e o ambiente ao redor.

Um exemplo clássico (e meio antigo até) do que se chamou de “computadores vestíveis” foram os dois desfiles de 2007 de Hussein Chalayam. Valendo-se de mecanismos de transformação automática da roupa e tecidos tecnológicos, o estilista não só surpreendeu pela originalidade do trabalho quando “estático”, mas também pela metamorfose que as roupas executavam durante o show. Aqui, esses tecidos tecnológicos não tem como função melhorar a performance do corpo, mas sim fazê-lo interagir de uma maneira inusitada com o mundo (e com o próprio usuário) – ou seja, a tecnologia é humanizada, saindo de seu papel costumeiro . Assista aqui e aqui, vale muito a pena.

O antes e o depois de um dos looks do desfile SS 2007 de Hussein Chalayan. A roupa executava a metamorfose durante o desfile.

Outro trabalho que “linka” moda e tecnologia é um de Jefferson Kulig, de 2004. No desfile, dentro da SPFW, as modelos tinham preso ao corpo aparelhos que captavam e amplificavam os sons de seu organismo, sendo esses sons a trilha sonora. Aqui, a tecnologia auxiliou o estilista a expor o conceito da sua coleção > colocar o interno em relação ao externo, tornar “público” uma coisa que pertence só a nós (nesse caso, os sons do nosso organismo).

TUDO ISSO pra falar de um trabalho muito interessante de duas alunas de Têxtil,  Stela Dias e Kristi Kuusk. Conheci o trabalho delas durante aVII Semana de moda da Livraria Cultura, e achei muito interessante falar sobre ele aqui.

A Kristi não é daqui, é da Estonia. Ela estava na época fazendo intercâmbio em TM, e esse projeto surgiu como trabalho final de uma disciplina, Moda e Tecnologia. É uma coleção de acessórios, inspirada nas formas dos flocos de neve. A coleção é composta por acessórios de pescoço e por anéis, todos desenvolvidos em crochet e tricot.

Kristi e modelo, usando um dos acessórios da coleção.

A coleção, intitulada Together we shine, tem como idéia transformar simples acessórios em modos de interação entre as pessoas, a partir do toque. Os anéis e os aquecedores de pescoço (elas não os chamam de cachecóis) possuem LEDs em sua estrutura, que, ao entrar em contato, literalmente “fazem a pessoa brilhar”, acendendo pequenos pontos de luz dentro do tricot (na foto dá pra ver, o anel no dedo da Kristi e as luzes saindo do flocão de neve).

O trabalho coloca em xeque as relações humanas e a tecnologia, apresentando essa como uma forma de reforçar vínculos, ao invés de enfraquecê-los (como fazem as redes sociais e a internet, por exemplo). Cada um dos pares de acessórios (6 no total) possui o nome de uma pessoa – na vida real, nomes de pessoas importantes na vida de cada uma das designers envolvidas no projeto.

Aqui você pode ver todos as peças da coleção (e o texto com o conceito masi bem explicado), e aqui o site da Kristi, no qual há outros projetos desenvolvidos por ela na Estonia.

Aproveito a brecha para também sugerir um livro, escrito pela profª. drª. Suzana Avelar (que dá aula no curso de TM), que fala mais sobre o assunto, inclusive discutindo esses trabalhos do Chalayan e do Kulig mais profundamente >>> Moda, globalização, e Novas Tecnologias, pela Estação das Letras e Cores.

Fotos >> www.style.com

até mais!

beijos,

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Lady Gaga e o retorno da Mugler

Olá!

Gente, por favor, sem preconceito com o título do post!!! Sei que vocês também dever estar FARTOS de ouvir falar nela, e certamente não esperariam ver seu nome num blog como esse. Mas não desanimem, leiam até o fim! haha

Não, não é a isso que viemos! hahaha

O fato é que, no final do ano passado, depois de muita especulação, foi anunciado que a Thierry Mugler (atualmente só Mugler), marca fundada pelo sujeito homônimo, voltaria a fazer parte do line up da Paris Fashion Week. Desde que Thierry se aposentou, no fim dos anos 90 (se não me falha a memória), a marca apesar de não paralizada, perdera muito do seu brilho de seu fundador e não se apresentava em nenhuma semana de moda.

A pergunta era inevitável: quem será o novo diretor artistico? Quem poderá dar uma cara nova à grife mantendo o DNA de Mugler? Quem? O responsável por esses looks absurdos >> Nicola Formichetti. Eu aguardei ansiosamente pelo retorno, apesar de já prever qualquer loucura relacionada com a Lady Gaga.

Gaga dando pinta na reestréia da marca.

De fato foi. Colocando o single “Born this way” como trilha e a própria na passarela, Formichetti conseguiu chamar atenção para esse retorno.

A princípio, achei meio repetitiva a coleção. Thierry ficou famoso pelas micro cinturas e maxi ombros e quadris, com tailleurs e vestidos sempre coladinhos no corpo; uma mulher bem sedutora –  e o desfile foi cheio de transparências, ombros, quadris e cinturinhas, nada de muito novo, exceto a Gaga em si.

Mais tarde, assistindo ao vídeo do desfile (aqui), percebi que umas das principais caracteristícas do trabalho original do estilista havia sido, graças a Deus, preservado – o desfile performático. E não somente por causa da estrela pop, mas pela própria forma que o resto das modelos se comportavam na passarela. Mugler, juntamente com Franco Moschino, foram os caras que deram vida ao desfile performático – não somente pelo cenário, mas por exemplo, colocando mais de uma modelo na passarela num mesmo momento, as quais encenavam poses, desviando o foco unitário que as apresentações geralmente tem.

(AQUI uma ótima compilação de vídeos de desfiles do Thierry. Perceba que, até mesmo o tal “cigarrinho fashion”, que Gaga encenou, não só não era novidade, como já tinha sido usado pelo próprio estilista em outro momento.)

Portanto, apesar da coleção meio “mais do mesmo” (linda de qualquer forma), a Mugler está ai novamente. Espero, sem muita esperança na verdade, que a ilustre presença da Gaga não dure mais que essa temporada. Quando o foco da apresentação de alguma marca é o casting e NÃO as roupas, a exemplo do que aconteceu na Colcci na última temporada (aqui), temos que ficar espertos: geralmente é prá esconder uma coleção sem muito potencial (não dizendo que foi o caso da Mugler).

Vale deixar também a reestréia do masculino da marca, muito mais lindo, e claro, sem a srta. vestido de Caco.

Que Thierry era incrível todos sabemos. Que venha o verão!!! (sem Born this way!)

até mais!

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Worth e a nova dinâmica da moda

Olá gente!

O blog andou parado por uns dias, mas já voltamos à ativa. : )

A partir daqui, iremos iniciar uma sequência de posts falando sobre a historia da moda e outras discussões sociológicas pertinentes. Sabemos que muita gente estuda história da moda por conta, mas determinados assuntos são sempre novidade para os mais recentes ingressantes nesse universo. Vez ou outra também daremos dicas de livros/filmes que tratem de temas legais, e que interessem a nós.

Nada mais justo do que começar falando do sujeito que cunhou a profissão de costureiro (atual estilista), nos moldes que conhecemos hoje.

Charles Frederick Worth era inglês. Até meados do séc. XIX, fazer roupa era ou artesanato ou comércio (no sentido de serem tratadas como arte, ou como simples forma de ganhar dinheiro). Worth foi o primeiro dos costureiros a se proclamar criador de moda, e a estabelecer em Paris um atelier, onde atendia suas clientes.

Worth

Claro que ele não foi o primeiro costureiro a montar um atelier na cidade-luz. A verdadeira inovação era a maneira como ele tratava suas clientes. Até então, os costureiros desenvolviam modelos de acordo com com os desejos da cliente em questão. Worth, apostando em sua capacidade criativa, jamais permitia que alguma cliente lhe dissesse o que fazer, ou como fazer. Ele foi o primeiro costureiro a assumir a posição de estilista, a partir do momento que as mulheres o visitavam e permitiam que ele desenhasse a roupa que ELE considerava mais adequada para elas.

Vestido de noite de Worth

Tendo ganho notoriedade por vestir a nobreza da época, Worth se impôe como arbitro de estilo, e dá início ao que será o sistema da alta costura, que irá se legitimar no começo do séc. XX. Worth também foi o primeiro a organizar um desfile de moda, mesmo que numa versão primitiva. Os desfiles aconteciam em seu atelier, e as modelos eram chamadas de sósias. Esses desfiles tinham a função de criar em suas clientes o desejo pelo novo, e obviamente de aumentar sua popularidade e crédito entre as damas.

Mas afinal, qual é a real importância dele, qual o principal legado?  Creio que a  constante busca pela renovação, e a criação de expectativa nos clientes quanto ao seu “mais recente trabalho”, o que pode ser chamado de sazonalismo. Ou seja, estabelecer novos lançamentos periodicamente, de acordo com a época do ano. Afnal, a moda vive de renovação, vive de se matar a fim de se recriar.

PS: O sistema da alta costura, que começa a tomar forma a partir dele, será discutido num post exclusivo. O termo alta costura, apesar de banalizado e muitas vezes erroneamente utilizado, tem uma teoria muito interessante por trás. Aguardem!

por enquanto é só : )

até mais!

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