Arquivo do mês: maio 2012

Acherontia – a criação de uma marca

A maioria das pessoas que conhece o Thiago (que escreve aqui no blog) sabe que já faz um tempo que ele está envolvido com a criação de uma marca de moda masculina: a Acherontia. Como o Tecendo Ideias também é um espaço para falarmos dos projetos dos alunos, resolvi fazer uma entrevista com ele sobre o assunto!

Tecendo Ideias: Como surgiu a Acherontia? Qual a inspiração da primeira coleção?

Thiago Silveira: A Acherontia veio como uma idéia solta na cabeça, uma simples vontade de fazer roupas que as pessoas gostassem e consumissem e depois de muitas influências e muita pesquisa assumiu a cara que tem hoje. Essa 1ª coleção comercial é fruto de um projeto meu, enviado para a Casa de Criadores do ano passado, cujo tema era Holocausto. A marca tem essa identidade: apostar em temas fortes e controversos para atender a um público que, acima de tudo, consome novas idéias.

T.I. : Qual o aspecto que você acredita ser o mais interessante na concepção do seu próprio negócio?

Thiago: O aspecto que considero mais interessante é que você tem que aprender de tudo, e nessa hora você percebe que apesar da faculdade te dar uma base teórica muito boa, é na prática que se aprende. Mesmo que você não seja o responsável pela execução de todos os processos, é MUITO importante que você compreenda cada estágio dele, para assim poder cobrar bons resultados. Você tem que saber de tudo, inclusive o que o consumidor espera – ou seja, tem que sair de você e se olhar de fora, se criticar.

T.I.: Qual foi o seu maior desafio na estruturação da marca?

Thiago: Encontrar boas oficinas a um preço razoável. Ainda assim, por ser uma produção pequena, acaba que muitas vezes adiam a produção e dão prioridade às empresas maiores, o que atrapalha qualquer cronograma (lançamento, entrega, etc). Praticamente 100% dos meus processos são externos, o que significa muita cobrança em cima dos fornecedores – especialmente com as costureiras

 T.I.: E no que diz respeito ao desenvolvimento de produto?

Thiago: Os processos criativos de moda que aprendemos na faculdade são importantes, mas cabe a cada um descobrir como utilizá-los. A verdade é que na prática, se a sua proposta de moda está totalmente fora do “espírito do tempo” (o tal zeitgeist), por mais incrível e autoral que seja, é difícil que ela seja bem aceita. Poderá ser até admirada – e muito -, mas não vai vender nada. Afinal de contas, estamos falando de ganhar dinheiro, não somente de se expressar.

T.I.: Então você acredita que a moda conceitual não tem espaço no mercado?

Thiago: Ter até tem, mas é um espaço muito pequeno e pouco lucrativo… eu defendo muito a expressão pessoal por meio da moda (inclusive a Acherontia nasceu disso), mas acredito que isso tem que acontecer em outros espaços – num editorial, numa campanha, num desfile, não nas lojas.

T.I.: Tem alguma mensagem para quem faz TM e quer criar sua própria marca?

Thiago: Quem tiver um mínimo de interesse em se aventurar nesse tipo de iniciativa, meu conselho é: não hesite! Pense muito, planeje, peça ajuda, faça o seu melhor, e o mais importante – tenha identidade própria e seja o seu maior crítico. A maioria das idéias não merece sair do papel; mas há as que merecem, as que valem a pena o risco. Encontre-as, dê a elas a sua cara e não tenha medo.  

Pra quem quiser conhecer a marca: www.acherontia.com.br

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Tenet – Arte Têxtil no Museu A Casa

Dica relâmpago (e atrasada!)  pra quem é de São Paulo: A Casa – Museu do Objeto Brasileiro apresenta a exposição Tenet – Tecendo na Net, que fica aberta ao público até dia 25 de maio agora. Para o projeto, já na sua segunda edição, foram convidados 70 profissionais do design, arte, cultura e moda, que apresentam trabalhos que dialogam a arte têxtil no Brasil – desde roupas e  objetos de decoração até instalações mais abstratas. Nomes como André Poppovic, Marta Meyer e João Pimenta estão por lá.

Vale a pena ir!
A Casa – Museu do Objeto Brasileiro
Rua Cunha Gago, 807, Pinheiros, SP – de seg. a sex. das 10:00 às 19:00 hrs.
Mais informações aqui: www.acasa.org.br

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Será que vai servir?

Os calouros estão tendo a felicidade (ou não) de cursar uma matéria chamada Resolução de Problemas I. Nela, os alunos desenvolvem uma pesquisa a respeito de um tema de sua escolha.

Há dois anos, o foco do meu grupo foi analisar o comércio de artigos de vestuário em sites de compras coletivas, mas o que vem a seguir se aplica a todos os e-commerces de vestuário:

Nas pesquisas, foi revelado que um dos fatores que impede o consumidor de efetuar a compra virtual da peça é o medo de não servir, não cair bem… enfim, tudo o que poderia ser resolvido com uma simples passada no provador (ou a padronização das medidas de vestuário, mas isso é assunto para outro post).

Encontrei um robô que ajudaria muitos compradores na perda desse medo, é o Fits.Me, uma espécie de manequim que se molda às medidas do corpo do comprador e “experimenta a roupa por ele”.

Ele foi desenvolvido por engenheiros da Estônia e apresenta as versões masculina e feminina.

Mas enquanto essa tecnologia não chega aqui, podemos fazer igual as japonesas do vídeo abaixo e “provar” roupas com o auxílio de um banco de imagens virtual.

Ok, você ainda vai precisar de um projetor, mas é mais fácil encontrar um do que um robô-clone.

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Cut-Out Shoulders

Quem é rata de site de moda de rua já deve ter se deparado bastante vezes com looks compostos com a camisa cut-out shoulders, ou sem ombros. Dos hits fashion dos últimos tempos, talvez esse tenha sido o que mais me atraiu: o recorte vazado dá uma leveza diferente à peça com jeito estruturado que é a camisa.
Como ainda não está fácil achar modelos sem ombros por aí, o jeito é pegar a camisa que você já tem e transformá-la em casa mesmo!

Com a camisa bem retinha, defina, em um dos lados, a área do ombro que você quer cortar (o corte pode ser mais fechado ou mais aberto).
Marque com alfinetes, e faça o corte arredondado (se quiser, trace uma linha antes).
Dobre a camisa e, baseando-se na medida já feita, corte o outro lado.

Agora é só dar o acabamento.
Faça uma bainha na parte recortada: dobre-a para dentro em um pouco menos de 1cm, fixe com alfinetes e costure.

Faça o mesmo do outro lado.

E tá aí! Sem esquecer que dá pra abrir o corte da maneira que quiser.

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